Voltemos ao Evangelho

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terça-feira, 17 de abril de 2012

A LEI DA SUBTRAÇÃO


O novo nascimento, em Cristo, não é um chamado para prosperidade pessoal e materialista. Do contrário, o chamado do evangelho é para a adversidade, para a autonegação, para que andemos na contracultura hedonista da sociedade.
A prosperidade que Deus tem para os seus filhos não se refere ao acúmulo de riquezas e a busca da tal “independência econômica”. Antes, se refere ao fato do cristão ser bem sucedido no objetivo de alcançar os propósitos do seu Senhor, durante a peregrinação nesta terra, e cumprir sua missão no Reino que agora ele faz parte.
Contudo, o ranço do imperialismo religioso romano e um certo grau de revanchismo ­­— em função das perseguições do tempo em que ser cristão não era símbolo de status mas, do contrário, ignorância —, costumamos retorcer e até desconsiderar os contextos bíblicos, de maneira que as pessoas sejam atraídas por supostos benefícios de um cristianismo sem sangue.
Nesse tipo de neocristianismo, não se falam de valores eternos, nem do reconhecimento da condição pessoal caída que herdamos e que, portanto, o homem natural necessita desesperamente do Messias Salvador. Ao invés disso, o ilusionismo cristianizado cria suas próprias leis, apoiadas em recortes da bíblia ou em afirmações que seguem a mesma lógica de que uma mulher tem o direito de assassinar o seu filho no início da gestação.
E se vão reeditando antigas crenças e seguindo leis como a da atração, a da prosperidade material, da semeadura e assim por diante. Em consequência, há um proposital esquecimento de um cristianismo que deveria ser simples, iniciando pela consciência do salário do pecado e a provisão definitiva em Cristo.
Mas porque ninguém fala, por exemplo, de uma lei da subtração? Sim, já que é para criar algo diferenciado, por que não? Será que é pelo fato desse tipo de verdade não dar pontos na audiência do IBOP gospel? Ou porque esse tipo de mensagem expõe quem realmente somos e isso afasta as multidões desejosas de barganhar seus interesses com um deus permissivo, de forma a satisfazer a cobiças dos olhos, a cobiça da carne e a soberba da vida? Seriam estes os motivos de existirem tantos evangélicos no Brasil, mas tão pouco sal dando gosto na sociedade?
Se há uma lei que deveria estar em alta, não seria a que exalta o egocentrismo humano, mas a lei da subtração. Porque aquilo que tínhamos como prazeroso e que não considerávamos mal em si, ao nascer do Espírito, perdemos.
Aquilo que nos trazia prazer e que intensificava os nossos sentidos e sentimentos e que nos dava uma certa segurança, por aquilo que vemos... Perder tudo isso não é nada agradável, inicialmente. Do contrário, isso é irracional para o homem natural, é loucura para os que não crêem em um evangelho que começa com: "Quem quer vir após mim, NEGUE-SE A SI MESMO...".
Que chamado é esse? Que evangelho é esse, tão estranho e desconhecido da maioria dos cristãos modernos? Parece até que isso quer dizer que quem roubava não vai roubar mais; quem tinha relacionamentos extraconjugais não terá mais; quem gostava de fumar, jogar, beber... Tudo lhe será subtraído! Esse é  um chamado que não parece nada agradável.
E qual a recompensa? Essa, pelo menos, deve ser estimulante para que alguém venha a tomar tal decisão, de se arrepender da vida que leva e entregar tudo diante de Deus.
A grande recompensa, depois da conversão de homem natural em um homem espiritual é espiritual. É isso mesmo, não se trata de uma troca de fidelidade e obediência a Deus por uma vida tranquila regada de facilidades e posses.  E mais, depois da conversão, ainda há um caminho de santificação, onde as perdas, segundo o referencial do homem, vão aumentando ainda mais. A única adição garantida pelo Pai e que nos é ou deveria ser mais suficiente do que todos os benefícios do mundo é sermos feitos filho de Deus.
Isso pode até parecer pequeno, porém, na verdade, é o que há de maior e mais importante na vida de todo e qualquer ser humano, assim como foi na vida do próprio Messias.
Lembremos do que o diabo fez, quando foi até a presença de Jesus. Ele não tentou a Jesus pela fome, poder ou qualquer coisa que vemos superficialmente no texto. O que o diabo fez e repetiu a mesma tentação foi: "Se és Filho de Deus..." (Mt 4). O que há de mais significativo para mim e para você é sermos filhos de Deus. Todas as tentações iniciam quando não temos a convicção legitimidade desta filiação.
Ouvimos: Se é filho de Deus, então por que você sofre? Por que você não tem, enquanto o ímpio tem? Por que você é privado de tantas coisas?
Daí, podemos chegar a algumas conclusões absolutamente naturais: É melhor não ser filho de Deus. Ou, a mais difundida em nossos dias; vamos provar que somos filhos de Deus e que nós também podemos tudo o que os outros podem, certo?
Errado! Sim, errado. Basta olhar para o que Cristo não fez. Pois é, o diabo tentou a Cristo que provasse quem Ele era. Mas em nenhum momento o Senhor titubeou na segurança de quem Ele era, o Filho de Deus. E o diabo não desistiu após o seu insucesso, disse que voltaria e, no calvário, voltou: “Se és Filho de Deus...” (Mt 27).
Você também tem absoluta certeza de sua filiação? Certeza à ponto de não ceder a tentação de impressionar e de tentar provar quem você é? Se você tivesse o poder de transformar pedras em pães ou ter todos os bens que quisesse, o que faria? Certamente você pensou em trilhar o caminho da cruz. Ou não?

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