Voltemos ao Evangelho

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sábado, 1 de setembro de 2007

DEVOCIONAL DIÁRIO

Um exercício transcendental.

“Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito...” (Shakespeare, Hamlet, Ato 2, Cena 2).

Uma criança faz dos seus brinquedos de matéria inerte, seus pais, seus amigos e até seus filhos. Naquele momento, usando as capacidades inerentes ao ser humano, ela vai além do que é mensurável aos sentidos de quem a observa. As crianças transcendem.

O prazer em Meditar na lei do Senhor é a porta de saída da casca de nóz a qual estamos submetidos, ainda neste corpo corruptível e, ao mesmo tempo, é a entrada na região que só o Homem Espiritual conhece.

Não precisamos usar de subterfúgios e idéias brilhantes, nem teatralizar ou imitar um símbolo psico-espiritual que está no top-ten evangélico, buscando passar pela mesma pseudo-experiência neo-pentecostal. Pois, se Deus não nos impôs trejeitos e nem padrões de manifestações, seria uma ignorância – ou quem sabe, simplesmente, a manutenção das tradições do misticismo brasileiro – dizer que alguém está no Espírito se falar ou fizer isso ou aquilo, pois é assim que acontece ali ou acolá.

Meditar e ter prazer no Deus da Palavra, através da Palavra desse Deus, é desbravar os caminhos que nos levam além dos muros da religião (seja esta tradicional, seja pós-moderna, seja lá o que for). A espiritualidade cristã não pode ser resumida às reuniões que chamamos de cultos, nem a meia-dúzia de chavões ditos por gente da mídia, nem mesmo aos costumes igrejeiros. Cristo nos deu toda a liberdade que encontramos em Sua Palavra e, ainda, nos deixou o Espírito Santo tanto consolador, quanto intercessor junto ao Pai.

Buscar a mesma união da trindade (ao invés de viver de plágio em plágio), esse sim, foi o desafio espiritual que só alcança quem transcende a sua própria humanidade (Jo 17. 15-23). Aí, seremos daqueles que estão firmados como árvores, junto ao ribeiro de águas. Então, mesmo que estejamos fazendo um piquenique no vale da sombra da morte, teremos a certeza de que, a Seu tempo, o Senhor os conduzirá até o lugar seguro e secreto da adoração.

Enfim, descrever a experiência e a vida cristã, para quem não tem experiência devocional - esse momento a sós com Deus - é como explicar o sabor de uma fruta típica da floresta amazônica para quem nunca comeu: Só quem provou sabe como é de fato! Portanto, “vem e vede”.

Omar Nascimento.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Devo guardar a Lei para ser salvo?

A Bíblia deixa claro que a salvação não é pela guarda da lei (leia Gálatas). A lei tanto teve o papel de mostrar o pecado devidamente maligno (Rm 7.13) e também de servir de "aio" (ou ama) para que o homem viesse a conhecer a Cristo (Gl 3.24,25). Um irmão descreveu a lei como uma escada de madeira dentro de um poço onde está caído um homem. Essa escada é boa, só que tem os seus degraus muito longe uns dos outros, tornando impossível de ser usada por um homem.

Em Mateus 5.17 e Romanos 3.31 diz que Cristo veio cumprir a lei, ou seja, Ele se sujeitou debaixo da lei (Gl 4.4), viveu em perfeita obediência à lei (Jo 8.46; Mt 17.5; 1 Pd 2.21‑23); foi um ministro da lei aos judeus, limpando os erros que eles haviam introduzido (Lc 10.25‑37) e confirmando, ao mesmo tempo, as promessas feitas aos patriarcas (Rm 15.8). Por meio de Sua vida santa e de Sua morte ele cumpriu todos os itens da lei (Hb 9.11‑26), e levou sobre Si mesmo a maldição da lei a fim de que todos os que cressem pudessem participar das bênçãos do pacto com Abraão (Gl 3.13,14). Mediante Sua obra, Cristo transportou a todos os que crêem, do lugar de servos da lei para a posição de filhos de Deus (Gl 4.1‑7). Ele serviu por seu sangue, de mediador de uma nova aliança de graça, na qual os crentes estão firmes (Rm 5.2; Hb 8.6‑13). Portanto Ele veio cumprir a lei (o que é impossível ao homem). Portanto, a lei não foi anulada, mas ela serve apenas para mostrar que o homem é pecador (Rm 7.7) e não tem poder para salvá‑lo.

O trecho de Tiago 2.8‑11 mostra a impossibilidade de se receber a salvação pela guarda da lei, pois aquele que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tornou‑se culpado de todos. Quando se trata de transgredir em atos, como não matar, não roubar ou não adulterar, é possível que alguém consiga se prender em uma jaula pelo restante de sua vida e não fazer nenhuma destas coisas. Mas quando se trata de não cobiçar, que é algo que se passa em nosso coração, vemos a impossibilidade de se cumprir toda a lei (pois tropeçando‑se neste ponto, os outros ficam todos comprometidos). E quem não cobiça? Cobiçar é algo que se passa a nível de pensamento e é algo instantâneo que muitas vezes só percebemos depois de já havermos cobiçado. E foi exatamente neste ponto que o apóstolo Paulo compreendeu sua impossibilidade de ser justificado pela lei: "eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, obrou em mim toda a concupiscência: porquanto sem a lei estava morto o pecado" (Rm 7.7,8). E a situação fica mais grave ainda quando vemos que, pelo que o Senhor disse em Mateus 5.21,22,27,28, qualquer mandamento pode ser transgredido só em pensamento.

Tiago 2.14‑26 é, aos olhos de muitos, uma justificativa para a salvação por obras. Mas não é assim. Se você comparar a passagem com Romanos 4 irá lhe parecer uma contradição. Tiago diz: "Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?... vedes, então, que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé". Paulo, em Romanos, diz: "Se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus". Parece uma contradição, mas a Palavra de Deus não se contradiz. Portanto, o erro não está na Palavra, mas na interpretação errada que os homens fazem. É preciso compreender o contexto de ambos os livros, Romanos e Tiago.

O primeiro, Romanos, nos fala da justificação DIANTE DE DEUS. Por outro lado, Tiago fala da justificação DIANTE DOS HOMENS. E você verá esta característica em todo o livro. Por exemplo, em Tiago diz: "TU tens a fé, e EU tenho as obras: mostra‑ME a TUA fé sem as TUAS obras, e EU te mostrarei a MINHA fé pelas MINHAS obras" (Tg 2.18). Você consegue perceber que o relacionamento é todo entre homens? Somos justificados (tidos por justos) diante dos homens por nossas obras, pois eles não conhecem nosso coração. Nossas obras são, para os homens, a evidência de nossa fé. Por isso Paulo diz: "Se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus" (Rm 4.2). Ou seja, Abraão tinha obras com que se gloriar diante dos homens, podendo ser considerado justo, pelas mesmas obras, diante deles. Mas não diante de Deus. Deus sonda o coração e só Ele sabe se aquelas obras provém da fé. Assim, Romanos fala de nossa justificação (sermos tidos por justos) diante de Deus, e não há obra, por melhor que seja, que possa enganar a Deus se não tivermos fé em nosso coração.

A falta de compreensão deste aspecto de Tiago, que é a profissão exterior da fé manifesta em obras (que você encontrará em todo o livro), leva muitos a usar Tiago 2.19 como justificativa para dizer que não basta crer. Porém ali não diz que o diabo é crente, mas que os demônios crêem que há um só Deus, e não só crêem como também estremecem. Mas não é o fato de crermos que há um só Deus que nos dá a salvação. Os muçulmanos (maometanos) crêem que há um só Deus e nem por isso estão salvos. Não é por crermos que há um só Deus que somos salvos, mas por crermos em Jesus Cristo; por aceitarmos que Ele é o sacrifício enviado por Deus para a remissão (retirada) de nosso pecado. E que Ele ressuscitou ao terceiro dia, tendo assim o Seu sacrifício sido aceito por Deus (Leia 1 Co 15.1‑4).

E existe uma diferença entre CRER e ACREDITAR. Apenas para dar um exemplo, uma pessoa pode ACREDITAR que um famoso cirurgião seja capaz de fazer um transplante de coração. Porém, tal pessoa terá que CRER na habilidade daquele cirurgião (e achar‑se doente) para deitar‑se numa mesa de operações e permitir que o médico lhe tire o coração e coloque outro no lugar. O fato de crer não se trata apenas de "saber" ou "acreditar" a respeito de algum assunto, mas receber em sua própria vida a ação daquilo ou daquele em quem se crê. No caso da salvação, cremos ao aceitarmos a Cristo como Salvador, o que demônio algum fez e jamais fará. Aqueles que usam erradamente a passagem em Tiago o fazem com malícia e tendo segunda intenção, ou seja, tentar convencer as pessoas de que não basta apenas crer em Cristo, mas que também seria preciso fazer alguma coisa mais, como se a Obra de Cristo não fosse perfeita.

(Mário Persona)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

SÓ ENTENDE QUEM TRANSCENDE...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

NOTÍCIAS DO FRONTE 3

Amigos e irmãos em Cristo,

Paz e saúde.

Este é o terceiro Notícias do Fronte, buscando sempre deixar atualizados os envolvidos, direta ou indiretamente, com a nova Missão da Igreja do Nazareno, em Canoas-RS, região metropolitana de Porto Alegre.

Permitam-me lembrar que a Igreja brasileira considera o Rio Grande do Sul do país como uma região não alcançada pelo evangelho. O último senso revelou que o crescimento do cristianismo no Estado é de pouco mais de 3%, abaixo de todos os demais da federação, alguns, alcançando 16,5%.

É bem verdade que existem igrejas cristãs por aqui, mas infelizmente ainda não alcançaram uma expressão regional efetiva. O dado mais conhecido é o fato de que, se hoje nascessem 1000 igrejas, esse número total não chegaria a média das demais cidades e/ou estados do Brasil. Isso sem falar na herança iluminista, influenciada pela colonização européia cujo reflexo é o ceticismo escancarado. E isto misturado com o misticismo, que encontrou solo tão fértil que alcançou o patamar de estado mais espírita da nação, ao ponto de deixar a Bahia ‘de todos os santos’ com inveja e ser a primeira cidade a possuir um 'macumbódromo'.

Muitas igrejas locais reagiram ao status quo espiritual da cidade e se reuniram para lançar no rio Guaíba, o maior e mais famoso daqui, uma tonelada de sal grosso, com a suposta pretensão de quebrar a maldição da cidade. É a personificação do tragicômico!

Apesar de não podermos contra-argumentar com os fatos, também não podemos ficar de braços cruzados. E assim o Senhor tem despertado muitas igrejas de diferentes denominações para o gigante gaúcho adormecido. A Igreja do Nazareno não tem ficado de fora e passou a investir e reestruturar sua organização nacional e regional.

Nesse ínterim, nasce uma nova Igreja do Nazareno gaúcha, em Canoas, cravada as margens da BR 116, portal de entrada da capital farroupilha. Essa missão, naturalmente, tem se levantado com o fervor evangelístico, mesmo correndo contra todas as estatísticas, pois cremos que o Senhor é maior do que quaisquer números negativos e que o Seu “Ide” também alcança este lugar, assim como tem feito em todo o Brasil.

Nas concentrações de domingo, temos tido agradáveis surpresas. Neste último, por exemplo, recebemos a visita de 16 pessoas que disseram já conhecer a Igreja do Nazareno, mas que atualmente estavam entre uma e outra denominação – que a graça do Pai seja sobre eles e sobre nós também. As conversões dos pais e do irmão de um dos jovens vieram como fator motivacional e emocionante para todos da nossa missão. Outra boa notícia da última reunião foi a confissão pública de fé de um senhor, fruto da tarde de evangelismo que realizamos todos os sábados. As nossas aulas estão sendo freqüentadas pela grande maioria dos membros desta missão, o que tem colaborado muito no processo de consolidação da igreja e da identidade nazarena.

Encerro este breve relato deixando a minha gratidão expressa aos meus amigos e familiares, que tanto tem confiado em nosso trabalho, ao ponto de estarem comprometidos em ofertar continuamente, em amor e unidade, dentro do que o Espírito Santo orienta aos irmãos na fé. Em breve, faremos clips e fotos, mostrando alguns dos flashes do cotidiano desta missão. Todos os irmãos que nos adotaram receberão uma mídia com esse conteúdo. Vocês fazem parte da realização do nosso primeiro sonho, que foi a locação de um cinema desativado de 200 lugares e bem localizado numa das principais vias da cidade, passagem obrigatória para quem chega ou sai de PoA. Agora, estamos trabalhando muito na recuperação das instalações, mesmo com as restrições orçamentárias comuns a todos e, principalmente, a uma missão onde o único carro da igreja é o do pastor. Mas cremos que o Senhor proverá todas as necessidades. E cremos até que, no futuro, poderemos comprar a propriedade e, em fases subseqüentes, adquirir os terrenos e casas que estão ao redor. Por que não?

Sonhadores? Sim somos, mesmo porque ainda ñ se paga imposto para tanto. Mas temos a consciência de que o preço para a realização é tão alto quanto o tamanho do sonho. Bom, como a Obra é do Senhor e, se formos fiéis a Ele e sensíveis as Suas orientações, estamos certos de que Obras cada vez maiores deixarão de serem sonhos.

Esse dias eu li uma frase que se alinha com a nossa realidade: “Sem saber que era impossível, foi lá e fez”. Continuamos a contar com os apaixonados pelo Reino. Lembrem-se de nós nas suas orações. Se possível, motive mais alguém ou alguma igreja a abraçarem esta iniciativa de menos de 4 meses, mas com frutos além dos que já foram narrados, pois, quando ouvirem falar da expansão do evangelho e da Igreja do Nazareno no Rio Grande do Sul, poderão dizer: “Nós fizemos parte deste processo. Valeu à pena!”.

Um fraternal abraço e que o amor de Cristo transborde em seus corações.
Omar Nascimento

terça-feira, 3 de abril de 2007

SOLILÓQUIO

Uma viajem

Ah! Como eu gostaria de saber escrever. Estou me sentindo um analfabeto funcional.

A saudade tem apertado o meu coração e, quando me dou conta... É difícil aceitar que aprendi a chorar. Na verdade eu não queria que isso acontecesse comigo, mas agora é tarde. Não quero desaprender.

Se vocês soubessem o quanto é difícil e me parece tão artificial escrever sobre esse tal sentimento. Afinal, não é um sentir pós-moderno, espetacular e sem sentido. É um negócio que vem sem a minha autorização, meio rebelde, às vezes contido, às vezes não. Será que estou ficando fraco demais? Acho que sim. Não, acho que vou parar de achar.

Estou olhando para aquela foto de despedida. Todo mundo ali. O corel e o photoshop serviram como tela e pincel nas mãos do artista. Essa sim foi uma lembrança que assumiu o seu sentido lato. Através dela eu vejo, ouço e, de vez em quando, quando ninguém está olhando, arrisco um solilóquio... Ai, ai, ai. Está tudo embaçado de novo. Fico bem feliz ao olhar para cada um de vós. As emoções daqueles dias foram tão intensas, que parece que estou saindo de uma daquelas concentrações de domingo, à noite. Ou quem sabe dos lanches que vinham depois. Deus meu, Deus meu.

O Senhor nunca nos desamparou, é bem verdade. Nem temos o direito de perguntar o por quê. Por que? Porque nós o sabemos. Mas do que adianta saber? Eu, por exemplo, não estou preocupado em trazer a mente desculpas, explicações ou até soluções, por mais espirituais que possam parecer ser do porque dessa separação geográfica. O que eu queria mesmo... Bom, acho que eu quero fazer a vontade do meu Pai. É, é isso aí, eu não acho, eu quero. Mas dói. Crescer dói. Ah! Quantos ‘por ques’. “Que seja feita a vossa vontade”, Papai, mesmo que eu não aceite, no começo. Mas o Senhor é tão bom que insiste em me fazer crescer, quando o que eu queria mesmo era estar na minha região de conforto.

Tchê. Mais do que a segunda pessoa do idioma guarani, define o povo que, enfim, voltei a ser o que não era para deixar de ser: Um missionário na minha terra.

Quantos brasis dentro do meu Brasil. Qual é o meu, o Rio do Norte, o do Sul ou aquele outro? No meio deles está o planalto, lá em cima se foram os louros da minha adolescência. Mas com o tempo veio a maturidade, e com ela a cidade das andorinhas. De lá, trouxe o melhor que aquela terra podia me dar. Descobri o que meu pai dizia ser homem de verdade, completo. Descobri o ‘para sempre’ da felicidade.

E a dita felicidade se multiplicou. Agora somos quatro. Eu e o meu harém – devo aproveitar enquanto é tempo. Elas foram testemunhas e cúmplices da dor da partida que partiu o nosso coração. Mais uma vez, o Senhor escreve certo em linhas certas e nós, os tortos, é que insistimos em ser daqueles cegos que não querem ver. (Que maravilha! Parei de molhar o teclado de soro natural).

Mas como eu nunca fui bom de visão mesmo, demorei a ver o milagre do qual sou coadjuvante. Sabe que é isso mesmo que eu acho: Que Deus quer que sejamos parte daquilo que chamamos de sobrenatural, mas que para Ele é tudo normal. Não vou nem perder tempo tentando explicar esse negócio. O fato é que Ele tem confortado o meu coração, afinal, descobri novos irmãos. A família é grande mesmo. Será que é mais ou menos por aí, a idéia de que faríamos cousas maiores do que o nosso primeiro Irmão?

Sei não. Mas que eu ando vendo 40 parecido com 400, ah, isso eu tô. E ninguém precisa dizer amém por isso. Se quiser, pode sussurrar um ‘misericórdia!’. Digo isto porque eu não pensava em encontrar tanta gente com sede e fome de transcender na Fonte. É bem verdade que a terra de todos os demônios, já não é mais no início do nordeste, do contrário, agora está no outro extremo. Mas é aí que a graça fica tri-superabundante. O problema é que 400 não cabem numa sala de 200. Pensando bem, se apertar... Éh! Acho a comunhão um outro milagre, um milagre e tanto.

Será que minha família do sul conhecerá a minha família do sudeste? E os do nordeste e centro-oeste? Depois não querem que eu seja convencido, mas não é todo mundo que pode ser pivô de um time tão continental quanto esse. Lembram do tema do meu livro? Aquele que o Romário só poderá participar com um pequeno prefácio, por não alcançar o padrão? Esse mesmo: “Eu e minha humildade somos demais”.

Obrigado, gente, por vocês existirem e por serem a razão do meu ministério. Obrigado, meus amados, por agüentarem um desabafo tão desprovido de qualidade, mas é ‘sem cera’. Obrigado, Senhor, porque já posso dormir tranqüilo e convicto de que vale à pena perseverar.

Omar Nascimento.

quarta-feira, 21 de março de 2007

FÉ E RAZÃO: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO?



Uma conversa edificante sobre um assunto intrigante.

Seria a fé puramente uma questão de emoção? Ou seria apenas um ponto de vista diferente? Todas as formas de fé cristã são realmente bíblicas? Veja o que o meu amigo escreveu sobre o assunto e, é claro, a resposta que dei sobre esse “papo cabeça”.
E-mail do meu amigo:
São tantos tipos de "fé" que faz-se necessário indagar-se o que é fé? Certamente, não pode ser algo místico e mágico, pois Deus não toma partido com essas coisas, também não deve ser um chavão que todos pronunciamos categoricamente sem compreensão alguma. Com o passar dos anos, a fé deixou de envolver aspectos racionais, lógicos e sensatos para adquirir uma conotação completamente mística, a ponto de grande parcela da população cristã veicular a impossibilidade de compreensão do próprio termo fé. E para qualquer assunto, o qual não haja compreensão, surge logo um 'renomado' cristão em nosso meio e diz: “... é meu irmão, ..., pela fé...”. De que adianta dizer é pela fé, se for fora de contexto? Ou se ele não tiver entendimento correto da palavra? Certamente tornar-se-á uma pedra de tropeço. Pois em assuntos onde não cabe a fé, ele a usará como se fosse possível alcançar o objeto desejado pela fé.
Ora, se não fosse possível a compreensão do que vem a ser fé não teríamos nada na Bíblia que tentasse revelar ao homem o que é ter fé ou seu significado. Encontraríamos em seu lugar algum texto tipo Daniel 12:9 (“... Vai-te,...; pois as palavras estão fechadas e seladas até o tempo Do fim”.) Como nos falta estudo, entendimento e compreensão, nos limitamos a ler superficialmente Hb 11.1. Sabemos que “...a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem” (Ed Corrigida e Fiel). Contudo, devemos treinar nossos olhos para enxergar o texto em todo seu contexto, deste modo entenderemos que o autor da Epístola aos Hebreus não tinha a menor intenção de definir o que é fé.
Seu objetivo está mais próximo de confirmar o que alcançamos e conseguimos suportar quando temos fé, pois ela nos leva a tomar decisões certas, quanto mais incerto torna-se nosso futuro. Hebreus 11.1 é uma introdução à galeria dos Heróis da fé e não uma definição do que vem a ser fé. O objetivo de definirmos o significado de uma palavra é torná-la mais compreensível perante os leigos, isto é justamente o que Hebreus 11.1 não se propõe a fazer, portanto esqueça hebreus 11 como definição por hora.
A palavra fé dentro do seu conceito original tem o significado de firmeza, confiabilidade e constância. Quando dizemos que uma palavra é digna de fé, afirmamos com isso que aquela palavra é verdadeira, integra e digna de toda a aceitação. O que esquecemos é que não damos crédito à mensagem, mas sim a pessoa que a pronunciou, isto implica em convicção pessoal e confiança surgida dentro de uma relação pessoal direta com aquele que prometeu. Na maioria das cartas paulinas, o termo fé está ligado diretamente ao entendimento de “aceitação total” e “confiança absoluta”.
Negligenciamos e desvalorizamos a palavra fé quando a atribuímos a experiências do nosso cotidiano, como por exemplo, quando afirmo que irei buscar minha esposa na faculdade as 22:30 em ponto. Dou minha palavra que estarei lá, e até certo ponto brincamos dizendo, tenha fé, estarei lá. Pois bem, como não há o que fazer, ela tem que dar crédito a minha palavra e esperar, esperar, ..., e esperar, até que, enfim, eu chego, ..., algumas vezes fora do horário, mas chego.
Nem sempre cumprimos com o prometido. Será porque faltou a nós ou a eles, fé? Por que nem sempre cumpro o que prometo? Isto acontece porque eu e você não temos controle real de nossas vidas. Por mais que você afirme que irá marcar um almoço ou jantar de confraternização entre amigos durante o final de semana, vários são os problemas e situações nas quais você estará envolvido que podem dificultar ou impedir o cumprimento de sua palavra. Nossa vontade não é soberana e não temos o controle de tudo que nos cerca. Se não consigo cumprir minha palavra todas as vezes que a empenho com firme convicção de cumpri-la, só me resta dar graças a Deus por isso. A questão não é festejar minha falta de palavra, pois, nem eu, nem ninguém fica feliz por não cumprir com todos os compromissos, mas sempre que falhamos somos confrontados com nossa própria natureza humana, e entendemos que só Deus tem soberania e controle total sobre tudo. Só Ele pode empenhar e cumprir Sua palavra. Dessa forma, a verdadeira fé é expressa pela plena confiança naquele que prometeu e tem capacidade para cumprir, independente das circunstâncias que cerquem o prometido. Nada pode ficar entre sua palavra e o cumprimento do que foi dito. Então, nosso leque de professores, líderes de louvor, amigos, familiares, irmãos que têm dito “tenha fé que no dia ‘X’ trarei o que me pediu”, não passa de uma grande desapropriação da palavra de Deus. Na esperança de elevar seu grau de comprometimento com aquilo que dizemos temos projetado o efeito colateral, a banalização da fé em nossos dias. Posso aplicar minha fé num copo d´água abençoado pela TV? E aí, de quem devo espera o cumprimento da promessa? Do copo d´água ou do homem? Digo isso porque não me lembro d’algum momento do ministério terreno de Jesus que Ele tenha afirmado que um copo d’água ungido resolveria nossos problemas? Este princípio vem da cultura Induísta. Este é somente uma das várias modalidades de “fé” existentes no mercado.
Existe uma grande variedade de fé disponibilizada pelas várias Igreja. Uns tem fé que um copo d´água resolverá seus problemas, outros que basta participar de uma fogueira santa. Há ainda aqueles que acreditam piamente na palavra do homem e lhe creditam fé para toda “profetada” que lhes falam. Será que algumas dessas pessoas pode verdadeiramente empenhar sua palavra a ponto de não desapontar aquele que acreditou? Não, não há ninguém que possa além de Jesus Cristo.
Cuidemos de nossa fé, pois a cada dia que passa poderemos estar mais longe da genuína fé. Aquela que nos tirou do reino das trevas e nos transportou para o reino do filho de Deus. Não dê atenção a programas enganosos, a charlatões que estão preocupados em ser reconhecidos como profetas e engrandecer seus ministérios.
Ao único que é digno de receber, ..., Jesus Cristo, é nEle que deve estar nossa fé! Lembre de tudo que Ele prometeu (Ap 2.7, 2.10, 2.17, 2.26-28, 3.5, 3.12, 3.21)
Aplique o que você entendeu sobre fé nos versículos abaixo e veja o resultado: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus", “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. “Ouviam somente dizer: Aquele que, antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir”. “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé”.
Minha colocação, em relação ao e-mail recebido:
É claro que eu concordo com você. Mas também é claro que concordo parcialmente. rs.
Tudo que você afirmou está tremendamente em concordância com o que eu penso e creio. Só fique esperto com a sua razão porque, se você deixar, ela explica a fé. E quando isto acontecer, pode ter certeza q o q foi explicado pode ser tudo menos fé.
E é por esse motivo que eu não concordo com tudo que você disse, porque você eliminou a componente q não entendemos completamente e nem temos a possibilidade de explicá-la como uma equação, pois "em parte falamos, em parte profetizamos".
Muita calma nessa hora!
Eh! O que é ser místico? Pois é, existe algo mais místico do que crer que 3 = 1 e 1 = 3? Você explica isto? Não? Mas é nisso que você crê, quando a Bíblia fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Logo, fé é algo místico, sim. Diferentemente da razão, que trabalha apenas com o mensurável, a fé tramita nas afirmações que o Senhor se compromete e que nós confiamos, mesmo que não consigamos enxergar o seu cumprimento como, por exemplo, a existência e a seleção dos 144000 eleitos, sendo todos oriundos das 12 tribos dos hebreus (citado no Apocalipse).
Mas, misteriosamente, fé e razão não se opõe, antes, se complementam. E nós andamos hora na fé, hora na razão, mas normalmente nos dois – às vezes mais em um, às vezes mais em outro. Mesmo porque, quem é o criador da fé? E o criador da razão? Se Deus criou os dois, porque teríamos motivo para descartar um? A própria Bíblia diz que a fé vem pela razão (ouvir). Isto não é místico?
Creio que no lugar de místico, misticismo se enquadraria melhor naquilo que você escreveu. Lembre-se que as traduções são limitadas, cabe a nós mergulhar no sentido do texto, sob a autoridade da Palavra, de acordo com a experiência cristã através dos séculos. Aí, sim, eu sou obrigado a concordar com você.
Talvez, esta seja uma diferença semelhante a ser tradicional, mas não ser tradicionalista. Sou tradicional ao ponto de guardar, como regra de fé e prática, as doutrinas de mais de 2000 anos – vai ser tradicional assim lá na china! Mas não sou tradicionalista ao ponto de guardar usos e costumes que nada tem haver com o meu contexto e com o cristianismo puro e simples.
Um fraternal abraço,
Omar Nascimento.

sábado, 17 de março de 2007

O QUE VOCÊ FARIA...

Se recebesse uma carta como esta?

Querido pastor,

Há muito queria escrever-lhe. Confesso que me senti intimidado por temer que você não entendesse minha motivação (...) Venho percebendo que você anda tenso (...) Sua atividade vem sendo duramente criticada pelos formadores de opinião. Nota-se uma antipatia nacional para com os pastores (...) lendo a Folha de São Paulo, imaginei como você deve ter se sentido quando o Arnaldo Jabor (...) atacou duramente as igrejas evangélicas: “Quanto faturam as igrejas evangélicas com a miséria, quantos milhões de dízimos pingam nos bolsos daqueles oportunistas de terno e gravata que não acreditam em Deus?”.

Sei que é perturbador ser rotulado como oportunista (...) Às vezes, gostaria de sair em sua defesa. Mostrar que o segmento evangélico mais visível na televisão faz muito alarde, mas não representa o pulsar da igreja como um todo. Embora muitos não acreditem, é preciso deixar claro que ainda há pastores que não fazem conchavos políticos ordinários. Seus ministérios não estão à venda. Para a enorme maioria de homens e mulheres como você, a causa de Cristo é mais preciosa que projetos pessoais. Entretanto, não sairei publicamente para defender-lhe. Jesus Cristo afirmou que a sabedoria é justificada por todos os seus filhos (Lc 7.35). Sua vida basta como testemunho. Continue na estrada menos trilhada.

Recordo-me daquela experiência que você nos relatou publicamente. Você estava em um mega evento evangélico. Inquieto com a luta de outros pastores para se sentarem nos primeiros lugares (...) você orou: “Deus, quero andar ao lado de gente que te leva a sério.” Deus sempre responde preces como essa. Continue caminhando ao lado de líderes que não negociam a ética pelo sucesso, não trocam conteúdos por jargões, não tentam imitar as ações sobrenaturais do Espírito.

Há alguns domingos, você parecia ansioso. Muitas vezes, nossa ansiedade nasce de comparação. Queremos, inconscientemente o sucesso, a projeção, a respeitabilidade dos outros. Isso, não acontece somente com os pastores. Empresários, profissionais liberais, atletas, artistas também caem na armadilha do sucesso. Tentam galgar uma escada imaginária que lhes levará ao triunfo. Só para descobrirem que encostaram sua escada na parede errada (...)

Pastor, a sedução pelo aplauso é vã. A disputa por respeitabilidade, inútil. O desejo de ter um nome se aproxima da mentalidade dos construtores de Babel. Na proposta de Jesus Cristo há discrição. O sucesso cobra um preço muito alto. Ele mirra nossa alma.

Não se afadigue para ser bem sucedido. Deus não busca desempenho, apenas fidelidade. Ele jamais lhe comparará a ninguém. Seja tão somente fiel ao que lhe foi confiado. Jesus alicerçou sua identidade na frase que ouviu antes de iniciar seu ministério: “Este é meu filho amado em quem me comprazo”. Faça o mesmo. Tome consciência de que é agradável a Deus. Só assim você não se deixará afetar por elogios ou desprezos. Ás vezes, preocupo-me que você esteja querendo impressionar outros pastores. Não é preciso. Por causa de Jesus, sabemos que Deus já está satisfeito conosco.

Semana passada vi-lhe no culto sem paletó e sem gravata. Ninguém se chocou. Pelo contrário, sentimo-nos mais próximos. Incrível, como nesses pequenos detalhes haja tanto significado. Gosto de lhe enxergar humano. Recordo-me com detalhes todas as vezes que você, sem temor, deixou-nos conhecer suas fraquezas. Ajudou-me a perceber que não luto sozinho contra a carne, o mundo e o diabo. Senti-me fortalecido em saber que somos parceiros de caminhada. Na verdade, eu andava cansado dos pastores que tentam projetar em suas congregações, uma imagem de super homens. Tenho pena dos evangelistas, que sem perceberem o ridículo, enxergam-se como semideuses. Será que não notam como é vaidosa essa moda dos pastores se darem títulos e, a si mesmos se promoverem? Esqueceram que o discípulo não pode ser maior que o mestre? Apagaram da lembrança o dia em que a mãe de Tiago e João procurou um lugar de destaque para seus filhos? (...) Dispense os títulos, esteja sempre perto de nós, sua congregação. Aqui você será sempre amado sem precisar de máscara.

Quero, por último, agradecer por seus sermões. Ouço ao rádio e assisto televisão com regularidade. Sei que não devo, mas faço minhas comparações. Acredito que há uma crise muito grande nos púlpitos evangélicos. Poucos se atrevem a pregar expositivamente as escrituras. Na proliferação dos sermões tópicos percebe-se a falta de zelo. Reparei ultimamente, que a maioria dos sermões rodopia no que Deus pode fazer pelas pessoas. Parece que muitos pastores perderam a noção da grandeza e majestade de Deus. Apresentam-no como mero cumpridor dos caprichos humanos. Muito obrigado, pelo seu esmero em nos dar todo o conselho de Deus. Seus sermões podem destoar. Mas, continue exaltando a Cristo. Ele atrairá as pessoas a si mesmo. Não caia na tentação de adocicar sua mensagem, tornando o evangelho apenas uma versão simplória da neurolingüística. A mensagem da cruz pode estar fora de moda, mas ainda é o poder de Deus para salvar todo o que crê.

Você tem honrado o conselho que Paulo deu a Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2Tm 4.2-5)...

Você poderia ser o destinatário desta carta?

A publicação original desse texto pode ser encontrada no site www.ricardogondim.com.br

sexta-feira, 16 de março de 2007

BOTA POUCA FÉ NISSO!

Resposta a um e-mail sobre ET:


Às vezes, eu fico estatelado com a simplicidade de um Deus tão poderoso, cujo nome nem mesmo conseguimos definir. Seria o "O Alto-Existente que se Revela" a melhor definição? Não sei. Penso que está mais para um dos seus atributos do que para Seu nome.

Bom, acho que essa discussão filosófica deixa o homem parecendo um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Chega a ser até engraçado. Mas enquanto perdemos tempo e esquentamos a moringa com essas e outras irrelevâncias, muitas pessoas continuam em seus esforços de levar um estilo de vida que desconsidera a existência e/ ou a presença do Deus vivo, fertilizando a imaginação e ficando a mercê do inimigo de todos os homens.

Você já reparou que todos os relatos daqueles que tiveram “contato sobrenatural" com os ET concordam num aspecto; não quanto a aparência ou a forma que mantiveram o contato, mas quanto ao cheiro dos seres em questão, o de enxofre.

Seria uma coincidência com os relatos bíblicos que descrevem o inferno e o lago de fogo e enxofre? Aliás, ouvi uma boa definição de coincidência: ‘É aquilo que o homem não consegue explicar, mas que também não dá crédito a um Deus que governa todas as coisas’. É preciso mais do que fé para não enxergar o óbvio. É necessário uma total cegueira espiritual para se acreditar que um pedaço de pedra ou um léio de pau, que a própria pessoa moldou, ou mesmo que os ET possam fazer algo pela humanidade.

Que coisa, não? Tão raro como uma pessoa ir ao poço apanhar água é ver alguém dar crédito a Jesus como o único acesso ao Pai. Triste caminho esse que os terráqueos estão tomando. Tão inteligentes, mas espiritualmente tão complicados. Incapazes de manterem vivo o seu próprio mundo, mas exploradores dos mundos deduzidos dos seus profícuos estudos.

Conseqüentemente, neste misto de ansiedade e desilusão, reverenciam as suas próprias sombras. Mas, como diz o ditado, quem planta limão não colhe laranja. Sorte a de quem bebe da água da vida. Esse, nunca mais terá sede.

Um fraternal abraço, mesmo que com pouca fé, mas suficiente para crer no Eterno,

Omar Nascimento.

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